Técnica de regressão clínica, difundida no Brasil desde os anos 1990, cresce entre pacientes que buscam compreender padrões inconscientes e aliviar sofrimentos emocionais complexos
Enquanto a ciência avança em diversas áreas, a saúde emocional segue no centro das preocupações globais — e no Brasil, o cenário é ainda mais crítico. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que o país está entre os líderes mundiais em prevalência de ansiedade. Quase 10% da população convive com transtornos ansiosos, e números do Ministério da Saúde registraram mais de 470 mil afastamentos do trabalho, somente em 2024, por causas relacionadas à saúde mental.
Diante desse cenário, abordagens terapêuticas que ampliam o olhar sobre a origem do sofrimento emocional têm ganhado espaço. Entre elas está a Psicoterapia Reencarnacionista, prática que propõe investigar camadas profundas do inconsciente a partir de regressões clínicas. A técnica, criada em 1996 pelo médico brasileiro Mauro Kwitko, é utilizada por profissionais que buscam compreender padrões emocionais que não se explicam apenas pela história de vida atual.
Uma das referências no país é Jhenevieve Cruvinel, mentora de saúde integral, nutricionista clínica e holística e terapeuta integrativa, que já conduziu mais de 2 mil regressões em sua prática clínica.
O inconsciente sob a luz da neurociência
Para a neurociência, grande parte das percepções, emoções e tomadas de decisão se origina em processos inconscientes que antecedem a consciência em nanossegundos. Estruturas como amígdala, hipocampo e córtex pré-frontal atuam na leitura de riscos, criação de memórias e formação de respostas emocionais automáticas.
Esse mecanismo, conhecido como predictive coding, indica que o cérebro reage menos ao mundo como ele é e mais às experiências vividas — ou registradas — anteriormente. Traumas, crenças, vínculos afetivos e vivências simbólicas moldam comportamentos e percepções no presente.
“Muito do que chamamos de personalidade é, na verdade, o inconsciente atuando no agora. A análise dessas camadas profundas é a chave para mudança e para uma nova forma de existir”, explica Jhenevieve.
Psicoterapia Reencarnacionista: além da história atual
A Psicoterapia Reencarnacionista propõe que parte dos padrões emocionais pode ter origem em registros simbólicos profundos, que algumas abordagens interpretam como memórias de vidas passadas. Na prática clínica, não se trata de misticismo, afirma a especialista, mas de uma ferramenta terapêutica para acessar conteúdos inconscientes que influenciam o presente.
“Não substitui o tratamento médico convencional, mas amplia o campo de investigação do sofrimento humano. Os resultados têm sido excepcionais na melhora de questões psicoemocionais”, afirma.
Estudos internacionais sobre memória não local, consciência não restrita ao cérebro e relatos espontâneos de crianças também têm estimulado debates científicos sobre a amplitude da consciência. Embora ainda não conclusivos, esses estudos abriram espaço para novas hipóteses sobre a formação da psique.
Alívio emocional e transformação de padrões
Segundo Jhenevieve, pacientes que procuram esse tipo de abordagem geralmente apresentam questões como:
ansiedade recorrente,
sensação de vazio ou perda de propósito,
padrões repetitivos de comportamento,
dificuldades nos vínculos afetivos,
conflitos familiares,
baixa autoconfiança,
impactos emocionais ligados a doenças crônicas.
Durante as sessões, o paciente acessa lembranças simbólicas, cenas e emoções fragmentadas no inconsciente. O objetivo não é reviver a dor, mas ressignificá-la, integrando essas informações ao presente e ampliando a autonomia emocional.
“O processo melhora padrões de pensamento, regulação emocional e até aspectos neuroquímicos. É uma ferramenta valiosa de cuidado em um mundo onde cada vez mais pessoas adoecem psiquicamente”, afirma.
Um campo em expansão
A especialista ressalta que a Psicoterapia Reencarnacionista ainda é um território fértil para estudos e aprofundamentos, mas sua aplicação prática tem contribuído para transformações significativas na vida dos pacientes.
“Se você está enfrentando sofrimento emocional, busque apoio médico e terapêutico. Não espere que os sintomas paralisem sua vida. A mudança é possível com orientação adequada”, conclui Jhenevieve.
Sobre a especialista
Dra. Jhenevieve Cruvinel
Mentora em saúde integral, nutricionista clínica e holística e terapeuta integrativa. Possui doutorado e diversas especializações, atuando na interseção entre ciência, espiritualidade e autoconhecimento.
Redação | Doutor TV
Redação | Doutor TV